Eduardo Osorio
Integrante do grupo Boa Companhia desde 1992. Desenvolve com o grupo pesquisas prática/teóricas que buscam a elaboração de uma linguagem própria e, nesse sentido, participou de trabalhos teatrais com textos de W. Shakespeare, A. Strindberg, N. Rodrigues, B. Brecht e S. Beckett. Em seu trabalho com o grupo aprofundou-se na transposição de textos de Franz Kafka para o palco, sendo fruto desse estudo os espetáculos: “PRIMUS”, “Mr. K. e os Artistas da fome” e “Galeria 17”, todos dirigidos por Verônica Fabrini. Fazem parte do repertório do grupo, também, os espetáculos: “A Dama e os Vagabundos”, sob a direção de Verônica Fabrini e Moacir Ferraz, “Esperando Godot” sob a direção de Marcelo Lazzaratto, “Portela, patrão; Mário, motorista” em que produziu, atuou e dirigiu em parceria com Daves Otani e “Cartas do Paraíso”, sob a direção de Verônica Fabrini. Uma das características que definem o trabalho do grupo são as co-produções internacionais: Arena03 (Erlangen/Alemanha – 2003), o Espaço Cultural Malaposta (Portugal/Lisboa – 2007) e Teatro Universidad Católica (Santiago de Chile/Chile – 2011). Em sua história a Boa Companhia apresentou por quase todo território nacional, além de algumas experiências internacionais, tendo participado dos mais importantes festivais nacionais com o reconhecimento de crítica e público.
Mestre em Artes Cênicas pela Unicamp, em 2004, com o projeto, Corporeidade animal e construção do corpo cênico, concluiu seu doutorado em Artes Cênicas na mesma universidade com o projeto, O animal humano e o corpo cênico, sob a orientação de Verônica Fabrini, no ano de 2010. Sua tese de doutorado tem como foco o corpo que age e faz na realidade social em que está inserido. A partir de conceitos como corpo normalizado, sociedade do espetáculo e processos de subjetivação, elabora uma reflexão sobre o trabalho de criação do ator e a idéia de corpo funcional e utilitário. Com o intuito de ultrapassar os limites da folha escrita, desenvolveu o exercício cênico “Zoonose”, como parte prática de sua tese de doutorado. Para a construção desse exercício procurou no trabalho com a corporeidade animal estímulos que desconstruíssem a gestualidade de nosso corpo. “Zoonose” é um monólogo em que Eduardo Osorio propõe uma reflexão corporal sobre o processo civilizatório, quando o corpo é moldado e orientado a responder as necessidades de nossa sociedade ocidental capitalista, que alimenta incessantemente a competitividade entre os indivíduos em prol do progresso. Atualmente estuda a relação do trabalho do ator com o não-saber, o território do não-conhecimento que não permite sistematizações nem metodologias, pois sua potência reside no impreciso, no incerto, no misterioso. Mistério que acompanha o trabalho do ator, e que não existe para ser desvendado, mas, antes, experimentado.

