Esperando Godot

Todos os dias, num local à beira de uma estrada deserta, que não é possível descrever porque não se parece com coisa nenhuma, junto de uma árvore solitária – nua e esquelética hoje, no dia seguinte coberta de folhas – dois homens, Vladimir e Estragon, esperam Godot. Mas nada acontece, ninguém chega, ninguém parte. E Godot – o único protagonista-ausente da história do teatro – que não saberemos quem é ou o que significa, nunca virá. Para preencher sua desesperada expectativa, para iludir o tédio dos dias vazios e sempre iguais, Vladimir e Estragon falam um com o outro até a exaustão, mesmo sem terem nada que dizer: assim, ao menos dão-se a impressão de existirem.

Ao longo de dois dias (dois atos) recebem a companhia de Pozzo e Lucky, um patrão e seu respectivo escravo-carregador. No 1º ato Pozzo revela toda sua crueldade no trato com seu criado, e este por sua vez, desarticula o pensamento dos demais ao pronunciar um verborrágico monólogo. No 2º ato, opressor e oprimido fazem nova companhia à Vladimir e Estragon, a não ser por um detalhe: Pozzo está cego e Lucky mudo. Um 5º personagem aparece ao fim de cada dia: um mensageiro que traz um recado do tão esperado Godot. Recado dado, o que resta a Vladimir é a companhia de Estragon. Em suma, estão de mãos atadas, atrelados à Godot, ou como o próprio Beckett diria anos mais tarde: “…o que une Vladimir e Estragon é a amizade de duas mãos, não uma verdadeira amizade. Ocorre simplesmente que um dia eles foram unidos e como duas mãos, eles retornam sempre à mesma situação; como duas mãos eles não podem se separar um do outro a não ser até um certo limite e são assim, sem verdadeiramente se apartarem um do outro, inseparáveis.”

Projeto Completo

Compartilhamento:
  • Print
  • Digg
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • email
  • RSS
  • StumbleUpon
  • Twitter