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Cartas do Paraíso
fevereiro 18th, 2010 Postado 19:38
SINOPSE
Acima da Linha do Equador, homens desafiam o mar tenebroso em busca de novos caminhos, de nova terras, quem sabe, um Paraíso.
Abaixo da linha do Equador, outros homens dançam até seus corpos se tornarem leves e serem levados pelo vento, acima e além das grandes águas para alguma terra sem males, quem sabe, um Paraíso.
Na linha branca de areia, começo de um caminhar, pra beira de outro lugar, esses homens se encontram, devoram-se, transformam-se uns nos outros, amalgamados, mestiços, amedrontados e pasmos diante da morte.
A bordo das canoas com asas viajam um degredado, um padre, um jovem cartógrafo, um bufão. Na praia, os aguardam xamãs e guerreiros. na iminência de um apocalipse dois imaginários se encontram e se perguntam: alguém sabe onde fica o paraíso?
RELEASE
Com este mote, a Boa Companhia traz à cena a sexta montagem teatral, no décimo oitavo ano de sua história. Cartas do Paraíso tem como material dramatúrgico cartas escritas por jesuítas, exploradores e viajantes nos primeiros tempos nesta Terra de Santa Cruz, Pindorama ou mítica Hi-Brasil, nesta que foi a “primeira aventura globalizante da humanidade”.
A encenação de Cartas do Paraíso foi criada a partir dos relatos de jesuítas e viajantes no início da colonização. A radical diferença entre as duas visões de mundo foi o ponto de partida para a criação de uma poética luso-tropicalista, pautada na mestiçagem, no encontro e no confronto de imaginários tão ricos: o do Portugal renascentista e mercantilista e a cultura indígena brasileira, sendo ela mesma extremamente múltipla.
Cartas do Paraíso dá prosseguimento à pesquisa de linguagem que a companhia vem desenvolvendo ao longo de sua trajetória, em que o processo de encenação parte do trabalho do ator e se nutre de elementos de outras artes cênicas como a dança, música e performance e agora buscando um diálogo maior com outras mídias áudio visuais. No entanto, é a construção do corpo cênico o elemento central de toda criação artística do grupo, e que neste novo espetáculo busca uma radicalidade ainda maior, desfazendo os limites do personagem e mergulhando na performance de estados e vibrações.
Nas primeiras cartas de jesuítas e viajantes a terra nova é comparável a um paraíso na Terra (quiçá o próprio paraíso), o que, no imaginário cristão, evoca tensões. Por um lado, a idéia de um além, de um depois do fim e antes do princípio, lugar mítico na terra governado por Deus e pelo bem, território sagrado de concretização da experiência material-transcedental da vida. Por outro lado, a imagem de paraíso carrega tanto a idéia de redenção, paz e equilíbrio quanto a idéia do pecado, da queda representada nas figuras de Eva, a serpente e o fruto do conhecimento. Poderia “paraíso” ter para nós um significado atual? Qual seria o nosso fruto proibido?
Apoiados em pesquisas bibliográficas, iconográficas e sonoras, procuramos construir uma encenação partindo dessas imagens, mas que não busque nenhuma reconstrução histórica. Interessa-nos acompanhar as metamorfoses da idéia de Paraíso projetada pelo imaginário europeu na terra de Pindorama (Terra de Santa Cruz) e buscar a reverberação disso na construção de uma singularidade brasileira, acelerando no tempo, atravessando o movimento modernista (bradando tupi or not tupi!), o tropicalismo ( aqui é o fim do mundo, de Torquatro Neto) até desembocarmos na complexidade atual da crise ambiental, da crise ética, neste cenário pré-apocalíptico de um mundo globalizado e bárbaro.
Revisitamos tais relatos não para recontar suas histórias, mas sim para desorganizá-los na procura de novas possibilidades, assim como o nativo do território descoberto que, com o seu entendimento das coisas, ameaçou desorganizar o progresso que ancorava em seu litoral.
FICHA TÉCNICA
Atuação: Alexandre Caetano, Eduardo Osorio, Gustavo Valezi e Moacir Ferraz
Direção: Verônica Fabrini
Direção Musical e trilha sonora: Silas Oliveira
Preparador Corporal: Rafael Barzagli Oliveira
Iluminação: Cláudia Echenique
Figurino: Guilherme Guedes
Projeto gráfico: Gustavo Valezi e Alexandre Caetano
Edição audiovisual: Gustavo Valezi
Produção: Cassiane Tomilhero e Erika Cunha
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Tags: Cartas do Paraíso, Espetáculos Boa Companhia
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