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Espetáculo Primus

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fevereiro 3rd, 2010 Postado 17:59

Baseado no conto “Comunicado a uma Academia”, de Franz Kafka, PRIMUS busca refletir sobre o gigantesco percurso da evolução humana. Conta a história de um macaco que para garantir seu lugar ao sol, aprende a ser homem e torna-se um pop star do show business.

Questões relativas à superioridade do humano frente à natureza, os limites entre natureza e cultura, entre necessidade e liberdade, são alguns dos questionamentos trazidos pelo conto. Fechando mais o foco, a solução encontrada pelo personagem – entrar para o teatro de variedades – apresenta-se como uma ironia. Ela traz à tona as contradições próprias da profissão: o ator como um “macaco amestrado”, como um objeto de curiosidade versus a inversão de poder quando se alcança a fama. Ou ainda, a dificuldade de manter-se crítico à nossa realidade e ao mesmo tempo viver da nossa arte. Primus é a tentativa de traduzir  para a cena essas inquietações, magistralmente exploradas por Kafka.

A encenação de Primus se insere no que tem sido chamado de teatro físico, uma vez que a aproximação do conto parte de uma perspectiva fortemente centrada no trabalho corporal. Há também o uso de recursos visuais de projeção de imagem (slides), do canto e da percussão ao vivo.

A base gestual tem como ponto de partida o estudo das estereotipias de primatas em cativeiro, por meio de observações no Zoológico e registros em vídeo; o trabalho vocal parte da linguagem não articulada, caminhando para a palavra, passando por canções do music-hall até chegar à alta codificação do canto lírico; e as imagens que compõem parte do cenário procuram captar as dissonâncias entre a harmonia do mundo natural versus a desarmonia do mundo civilizado. A percussão busca nos ritmos primitivos africanos e no trabalho de livre improvisação, construir climas sonoros que hora conduzem a cena, hora oferecem apenas uma sustentação rítmica para ela. A montagem busca no diálogo entre essas três linguagens transpor para a cena os temas que a Companhia considera fundamentais no conto de Kafka.

A ENCENAÇÃO E O TRABALHO DO ATOR

A encenação de PRIMUS inscreve-se no que tem sido chamado de teatro físico, uma vez que nossa aproximação do conto parte de uma perspectiva fortemente centrada no trabalho corporal. No entanto, lançamos mão também de recursos visuais de projeção de imagem (slides), do canto e da percussão ao vivo.

A base gestual tem como ponto de partida o estudo das estereotipias de primatas em cativeiro, através de  observações no Zoológico de São Paulo [1].

O trabalho vocal parte da linguagem não articulada, caminhando para a palavra, as canções do music-hall até a alta codificação do canto lírico.

As imagens (slides) que compõem parte do cenário procuram captar as dissonâncias entre a harmonia do mundo natural versus a desarmonia do mundo civilizado.

A percussão busca nos ritmos primitivos africanos e no trabalho de livre improvisação, a construção de climas sonoros que hora conduzem a cena, hora oferecem apenas uma sustentação rítmica para a cena.
Buscamos no diálogo entre essas três linguagens que tecem a estrutura narrativa do espetáculo, transpor para a cena os temas que consideramos fundamentais no conto de Kafka: os limites entre natureza e cultura, o animal e o humano, a tensão entre liberdade e a necessidade.

FICHA TÉCNICA

Elenco:  Alex Caetano, Daves Otani, Eduardo Osorio e Moacir Ferraz

Direção Geral: Verônica Fabrini

Preparação Corporal: Clermont Pithan

Assessoria: Célia Froufe – Sapateado

Danças Brasileiras: Eloisa Domenicci

Improvisação: Isabelle Dufau

Técnicas Circenses: Luis Monteiro Espacirco UNICAMP

Ritmos Africanos: Alex Caetano

Direção Musical: Max Costa

Slides: Coi e Eduardo Osorio

Figurino/Cenografia/Sonoplastia: Verônica Fabrini

Iluminação: Clermont Pithan e Daves Otani

Consultoria em Primatologia: M. Isabel F. de Almeida

Cenotécnico: Erick Oliveira

Texto original: “Comunicado para uma Academia” de Franz Kafka

Adaptação: Verônica Fabrini e BOA COMPANHIA

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